Era tarde da noite.Um breu.Um são vento corria nas ventanas
paulistas.
Uma janela larga no 13ºandar de qualquer lugar.
Ela ali, sentada com um lenço colorido na cabeça, lia o periódico de
antes de ontem.
Na xícara de café, malte e cereais que vieram enlatados.
Alguns fogos de artifício desconcertados no céu a desconcentram num levantar
de sobrancelhas e sequencial sorrisinho astuto de quem encontra uma ideia que
vagava perdida.
Se remexe entre cobertores, travesseiros e restos de noite
não dormida, enquanto de um impulso nasce um salto marcado, certeiro até o
tapete chegar, bem ali em frente.
Enquanto preparada e posicionada como um gato sob o próximo passo, assim de curvado, firme e de olhos centrados, escuta um
rugido!
É um abrir de porta lento e duro, a madeira canta sobre os pés que calçam o
chão levemente.
Escuta chegar sem se mexer e quase sem respirar e, mesmo sem se voltar ao movimento daquela
sinfonia, quando ainda em pose de estátua, vê o vulto, não tão de perto e o escuta murmurar:
-Ahh... me deitei e não passei meu creme de proteção solar, me
empresta o seu minha querida...
A ideia se mexeu e ela, trazendo-se de volta para aquele momento, virou-se àquela presença e seus olhos de
volta, como se saíssem do transe, enquanto sorri: Claro, vou pegar, se deite.
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